domingo, 30 de março de 2008

Patricia Camin

The Greatest Love of All


Did We Almost Have it All


Maria Maria

sábado, 22 de março de 2008

Betty Faria



Betty Faria é uma das actrizes mais importantes da televisão brasileira. No entanto, o veículo onde ela explora melhor todas as suas potencialidades é o cinema, declaradamente a grande paixão da actriz. Desde sua estreia na década de 60 que Betty Faria é presença constante nas telas e em filmes expressivos. A actriz costuma brincar, dizendo que o cinema brasileiro é o seu grande príncipe e que ela está sempre disponível para ele, a espera de convites.Trabalhou na produção de `Jubiabá`, de Nelson Pereira dos Santos, e por isso conhece os dois lados, sabe as dores e as delícias de se fazer cinema no Brasil.

Bailarina, Betty Faria marcou presença em revistas musicais no inicio da carreira, com trabalhos para o mitológico Carlos Machado. Muito anos depois, protagonizou o programa ``Brasil Pandeiro´, na Globo, em que homenageava o teatro de revista. Desenvolveu uma carreira importante nas novelas em marcos como `Pecado Capital´ e em muitas outras, mas é o cinema que revela em tamanho exacto o talento da actriz, que mistura em suas interpretações um certo ar malandro e uma entrega absoluta e apaixonada, de quem realmente ama o cinema.

Premiada e homenageada pelos nossos Festivais, Betty Faria já actuou até agora em cerca de 20 filmes. Estreou no cinema nos anos 60 em `O Beijo, de Flávio Tambellini, marca presença no Cinema Marginal, e tem seu primeiro grande papel em `A Estrela Sobre`, de Bruno Barreto, em 1974. Durante a carreira, a atriz teve a felicidade de interpretar pelo menos quatro personagens inesquecíveis: a Leniza Mayer de `A Estrela Sobe`, a Salomé de `Bye Bye Brasil´, a Fausta de `Romance da Empregada` e a Dália de `Anjos do Arrabalde`. `Romance da Empregada´ é o melhor filme de Bruno Barreto – na época, a interpretação da actriz fez sucesso no Festival de Cannes. Já `Bye Bye Brasil´ e um dos nossos maiores clássicos.

- `O Beijo` (1964), de Flávio Tambellini;
- `Amor e Desamor´ (1965), de Gerson Tavares;
- `A Lei do Cão´ (1967), de Jece Valadão;
- `As Sete Faces de um Cafajeste´ (1968), de Jece Valadão;
- ``Piranhas do Asfalto´ (1970), de Neville D´Almeida;
- `Os Monstros do Babaloo´ (1970), de Elyseu Visconti;
- `Som, Amor e Curtição´ (1972), de J.B. Tanko;
- `A Estrela Sobe` (1974), de Bruno Barreto;
- `O Casal´ (1975), de Daniel Filho;
- `Dona Flor e Seus Dois Maridos´ (1976), de Bruno Barreto;
- `O Cortiço` (1978), de Francisco Ramalho Jr.;
- `Bye Bye Brasil` (1979), de Carlos Diegues;
- `O Bom Burguês` (1983), de Oswaldo Caldeira;
- `Jubiabá` (1987), de Nelson Pereira dos Santos;
- `Anjos do Arrabalde` (1986), de Carlos Reichenbach;
- `Um Trem Para as Estrelas` (1987), de Carlos Diegues;
- `Romance da Empregada` (1988), de Bruno Barreto;
- `Lili, A Estrela do Crime` (1989), de Lui Farias;
- `Perfume de Gardênia` (1995), de Guilherme de Almeida Prado;
- `For All, O Trampolim da Vitória` (1997), de Buza Ferraz e Luiz Carlos Lacerda;
- `Sexo, Amor e Traição' (2004), de Jorge Fernando;
- `Bens Confiscados' (2004), de Carlos Reichenbach.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Caetano Veloso

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, 7 de agosto de 1942) é um músico e escritor brasileiro.



Biografia

Nascido na Bahia, é o quinto dos oito filhos de José Teles Velloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios falecido em 13 de dezembro de 1983 aos 82 anos, e Claudionor Viana Teles Velloso (Dona Canô), nascida em 16 de setembro de 1907.

O nome da irmã foi por ele escolhido inspirado em uma canção famosa da época (18 de junho de 1946) na voz do cantor Nélson Gonçalves, Maria Bethânia, do compositor Capiba. Na infância, foi fortemente influenciado por arte, música, desenho e pintura; as maiores influências musicais desta época foram alguns cantores em voga na época, como "o rei do baião" Luiz Gonzaga, e canções de maior apelo regional, como sambas de roda e pontos de macumba. Em 1956 freqüentou o auditório da Rádio Nacional, na capital fluminense, que contava com apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros. Em 1960 mudou-se para Salvador, onde aprendeu a tocar violão. Apresentou-se em bares e casas noturnas de espetáculos. Nesta época, o interesse por música se intensificou. Cedo na carreira retirou um "l" de seu nome, optando por Caetano Veloso.

Trajetória artística

Iniciou a carreira interpretando canções de bossa nova, sob influência de João Gilberto, um dos ícones e fundadores do movimento. Colaborou com os primórdios de um estilo musical que ficou conhecido como MPB (música popular brasileira), deslocando o melodia pop na direção de um ativismo político e de conscientização social. O nome ficou então associado ao movimento hippie do final dos anos 1960 e às canções do movimento da Tropicália. Trabalhou como crítico cinematográfico no jornal Diário de Notícias, dirigido pelo diretor e conterrâneo Glauber Rocha. A obra adquiriu um contorno pesadamente engajado e intelectualista e o artista firmava-se sendo respeitado e ouvido pela mídia e pela crítica especializada.

Participou na juventude de espetáculos semi-amadores ao lado de Tom Zé, da irmã Maria Bethânia e do parceiro Gilberto Gil, integrando o elenco de Nós por exemplo, Mora na filosofia e Nova bossa velha, velha bossa nova em 1964. O primeiro trabalho musical foi uma trilha sonora para a peça teatral Boca de ouro, do escritor Nelson Rodrigues, do qual Bethânia participou em 1963, e também escreveu a trilha da peça A exceção e a regra, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, dirigido por Álvaro Guimarães, na mesma época em que ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia.

Início da carreira musical

Foi lançado no cenário musical nacional pela irmã, a já reconhecida cantora Maria Bethânia, que gravou uma canção da autoria no primeiro disco, Sol negro, um dueto com Gal Costa, as cantoras que mais gravaram músicas da autoria. Em 1965, lançou o primeiro compacto, com as canções Cavaleiro e Samba em Paz, ambas de sua autoria, pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG), participando também do musical Arena canta Bahia (ao lado de Gal, Gil, Bethânia e Tom Zé), dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC (São Paulo). Teve músicas inclusas na trilha do curta-metragem Viramundo, dirigido por Geraldo Sarno.

O primeiro LP gravado, em parceria com Gal Costa, foi Domingo (1967), produzido por Dori Caymmi, foi lançado pela gravadora Philips, que posteriormente transformou-se em Polygram (atualmente Universal Music), que lançaria quase todos os discos. Domingo contou com uma sonoridade totalmente bossa-novista, e a ele pertence o primeiro êxito popular da carreira, a canção Coração vagabundo. Mesmo não tendo sido um estrondoso sucesso, garantiu um bom reconhecimento à dupla e foi muito aclamado pelo meio musical da época, como Elis Regina, Wanda Sá, o próprio Dori Caymmi e Edu Lobo, marcando a estréia de ambos nessa gravadora, a convite do então diretor artístico João Araújo. A canção Um dia, no repertório deste, recebeu o prêmio de melhor letra no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record

Tropicalismo

Nesse mesmo ano, a canção Alegria, Alegria, que fez parte do repertório do primeiro LP individual, Caetano Veloso (janeiro de 1968), que trouxe canções como Alegria alegria, No dia em que vim-me embora, a antológica Tropicália, Soy loco por ti América e Superbacana, e também lançada em compacto simples, ao som de guitarras elétricas do grupo argentino Beat Boys, enlouqueceu o terceiro Festival de Música Popular Brasileira (TV Record, outubro de 1967), juntamente com Gilberto Gil, que interpretou Domingo no Parque, classificadas respectivamente em quarto e segundo lugar. Era o início do Tropicalismo, movimento este que representou uma grande efervescência na MPB.

Este marco foi realizado pelo lançamento do álbum Tropicália ou Panis et Circensis (julho de 1968), disco coletivo que contou com as participações de outros nomes consagrados do movimento, como Nara Leão, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal. Ficou associada a este contexto a canção É Proibido Proibir, da sua autoria (mesmo compacto que incluía a canção Torno a repetir, de domínio público), que ocasionou um dos muitos episódios antológicos da eliminatória do 3º Festival Internacional da Canção (TV Globo), no Teatro da Universidade Católica (São Paulo, 15 de setembro de 1968). Vestido com roupa de plástico, ele lança de improviso um histórico discurso contra a platéia e o júri. "Vocês não estão entendendo nada!", grita. A canção é desclassificada, mas também foi lançada em compacto simples. Em novembro, Gal defende sua canção "Divino maravilhoso", parceria sua com Gil, no mesmo musical onde participou defendendo a canção "Queremos guerra" (de Jorge Benjor). Caetano lançou um compacto duplo que continha a gravação do samba "A voz do morto" que foi censurado, com isso o LP foi recolhido das lojas.

Caetano Veloso e Jorge Mautner foram os primeiros andróginos da Música Popular Brasileira. Em seu primeiro show na volta ao Brasil, em 1972, Caetano encarava o público de brincos de argolas, tamancos, baton e tomara-que-caia. Caetano Veloso é a maior referência para o artista Ney Matogrosso - que mais tarde estrearia no grupo Secos & Molhados.

Ditadura militar

Desde o início da carreira, Veloso sempre demonstrou uma posição política ativa e esquerdista, ganhando por isso a inimizade do regime militar instituído no Brasil em 1964 e cujos governos perduraram até 1985. Por esse motivo, as canções foram freqüentemente censuradas neste período, e algumas até banidas. Em 27 de dezembro de 1968, Veloso e o parceiro Gilberto Gil foram presos, acusados de terem desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. Foram levados para o quartel do Exército de Marechal Deodoro, no Rio, e tiveram suas cabeças raspadas.

Ambos foram soltos em 19 de fevereiro de 1969, quarta-feira de cinzas, e seguiram para Salvador, onde tiveram de se manter em regime de confinamento, sem aparecer nem dar declarações em público. Em julho de 1969, após dois shows de despedida no Teatro Castro Alves, nos dias 20 e 21, Caetano e Gil partiram com suas mulheres, respectivamente as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, para o exílio na Inglaterra. O espetáculo, precariamente gravado, se transformou no disco Barra 69, de três anos mais tarde.

Antes de partir para o exílio, em abril e maio de 1969, Caetano gravou as bases de voz e violão do próximo disco, Caetano Veloso, que foram mandadas para São Paulo, onde o maestro Rogério Duprat faria os arranjos e dirigiria as gravações do disco, lançado em agosto - um dos únicos que não traz uma foto sua na capa. No repertório, destaque para as canções Atrás do trio elétrico (lançada em novembro em compacto simples com Torno a repetir), Irene feita na cadeia em homenagem à irmã, o grande sucesso Marinheiro só, e regravações de Carolina, de Chico Buarque (regravada muitos anos depois no CD Prenda minha) e o tango argentino Cambalache.

A canção Não identificado, desse mesmo disco, foi lançada em novembro em compacto simples, juntamente com Charles anjo 45, de Jorge Ben, em dueto com o próprio. Além disso, também trabalhou como produtor musical, com João Gilberto (João voz e violão), Jorge Mautner (Antimaldito), Gal Costa (Cantar, cujo espetáculo originado deste também foi dirigido por ele) e a irmã Maria Bethânia (Drama - Anjo Exterminado, com faixa-título da autoria), caracterizando-se também por numerosas canções gravadas por outros intérpretes.

Década de 1970

Em janeiro de 1972, Caetano Veloso retornou definitivamente ao Brasil, após haver visitado o país em agosto de 1971, onde participou de um encontro histórico, ao lado de João Gilberto e Gal Costa, realizado pela extinta TV Tupi. Ao lado deste que fora uma das maiores influências, participou em 1981 do álbum Brasil, do seu mestre João Gilberto. O disco, que contou também com a presença de Gil e Bethânia, foi lançado pela gravadora WEA, paralelamente à estréia da peça O percevejo, do poeta russo Vladimir Maiakóvski, com a participação de Dedé Veloso como atriz, e alguns poemas musicados pelo próprio Caetano. Um deles, O amor, se tornaria sucesso na voz de Gal.

Em 1974 lançou, ao lado de Gil e Gal, o disco Temporada de verão, gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador, com destaque para a regravação de Felicidade, de Lupicínio Rodrigues, e as inéditas De noite na cama (que seria regravada posteriormente por Marisa Monte e Erasmo Carlos, novamente obtendo êxito) e O conteúdo, ambas de sua autoria.

A Tropicália seria retomada no álbum Tropicália 2 (1993), que comemorou os vinte e cinco anos do movimento e trinta anos de amizade entre Caetano e Gil, e ainda retomando a parceria entre ambos, contendo algumas doses de experimentalismo (Rap popcreto, Aboio, Dada, As coisas), uma crítica à situação política do país (Haiti - rap social da dupla), uma homenagem ao cinema (o movimento Cinema novo), ao carnaval baiano (Nossa gente - também gravada pela banda Cheiro de amor com sucesso), ao poeta Arnaldo Antunes (As coisas - cuja letra foi musicada de um trecho deste livro homônimo), e ainda ao músico Jimi Hendrix, com Wait until tomorrow. Anteriormente, ambos já haviam lançado um compacto simples com as canções Cada macaco no seu galho (Riachão), também inclusa no repertório deste, e Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho).

Em 1973, apresentou-se no evento Phono 73, série de espetáculos promovidos pela gravadora Philips com todo o elenco desta, no Anhembi (São Paulo), onde ele cantou a canção Eu vou tirar você deste lugar, do ícone considerado brega Odair José. Um compacto simples com as musicalizações para Dias dias dias (com citação para Volta, de Lupicínio Rodrigues) e Pulsar (Augusto de Campos) saiu encartado em Caixa preta (Edições Invenção), obra do poeta em parceria com Júlio Plaza; quatro anos depois, também saiu acoplado ao livro Viva vaia (editora Duas Cidades), que seria então publicado por Augusto. Participou de um espetáculo com Gilberto Gil na Nigéria (1977), onde passaram cerca de um mês. Em abril, foi publicado pela editora Pedra q ronca o livro Alegria alegria, com uma série de artigos, manifestos e poemas de Caetano, além de entrevistas com ele, realizada pelo conterrâneo, amigo e poeta Waly Salomão.

Em 1979, apresentou-se em um festival na TV Tupi defendendo a canção Dona culpa ficou solteira, de Jorge Ben, onde foi vaiado e a canção desclassificada.

A década de 1970 foi muito importante para carreira de Caetano, e para toda a MPB. Entre as canções de Caetano mais representativas desse período, estão, entre outras: Louco por você, Cá-já, A Tua presença morena, Épico, It's a long way, Um índio, Oração ao tempo, A little more blue, Nine out of ten, Maria Bethânia, Júlia/ Moreno, Minha Mulher, Tigresa, Cajuína, You don't know me e London London.

Doces Bárbaros

Ao lado dos colegas Gilberto Gil e Gal Costa, lançou o disco Doces Bárbaros, do grupo batizado com o mesmo nome e idealizado pela irmã Maria Bethânia, que era um dos vocais da banda. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disso, curiosamente na época do lançamento (1976) foi duramente criticado. Ao longo dos anos, o lema Doces Bárbaros foi tema de filme com direção de Jom Tob Azulay, DVD e enredo da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira'em 1994, com a canção Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu (paráfrase do verso de Atrás do trio elétrico, gravada em 1969), puxadores de trio elétrico no carnaval de Salvador, apresentaram-se na praia de Copacabana e numa apresentação para a rainha da Inglaterra. O quarteto Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 1970.

Inicialmente o disco seria gravado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado em disco, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo de estúdio, com as canções Esotérico, Chuckberry Fields Forever, São João Xangô Menino e O seu Amor, todas gravações raras.

Anos 80

Nos anos 1980, cresceu a popularidade no exterior, principalmente em Israel, Portugal, França e África. Comandou, em 1986, ao lado de outro dos grandes cantores de sua geração, o carioca Chico Buarque, com quem gravou um antológico disco ao vivo em 1972, na apresentação do programa Chico e Caetano (TV Globo). O sucesso deste acabou por originar o álbum Melhores momentos de Chico e Caetano, que contou com a participação especial, dentre outros, de Rita Lee, Jorge Benjor, Astor Piazzolla, Elza Soares, Tom Jobim, Luiz Caldas, o grupo Fundo de Quintal e Paulo Ricardo.

Além deste, neste ano lançou dois discos: Totalmente demais, originado de um espetáculo acústico (outubro de 1985) que fora gravado no hotel carioca Copacabana Palace. Este disco, lançado para o projeto Luz do Solo inclusive, foi o primeiro grande sucesso da carreira, que vendeu cerca de 250 mil cópias e que trouxe regravações de canções que fizeram sucesso na voz de outros cantores, com destaque para a faixa-título, proibida pelo regime militar havia três anos, e ainda Caetano Veloso, também conhecido como Acústico, pelo selo Nonesuch, que trouxe regravações dos antigos sucessos neste formato. Este disco contou com a participação especial de três músicos: Tony Costa (violão), Marcelo Costa e Armando Marçal (percussão). Lançado inicialmente nos EUA, onde foi gravado, foi distribuído no Brasil somente quatro anos depois (outubro de 1990) e obteve boa recepção crítica, originando um espetáculo na casa carioca Canecão, que seria reiniciado em abril de 1991. Nesse mesmo mês, no dia 21, dia de Tiradentes, fez uma apresentação em homenagem ao Dia da Terra, que contou com a participação de cerca de cinqüenta mil pessoas, realizado na enseada do Botafogo, no Rio de Janeiro.

Em 1981, o disco Outras palavras atingiu a marca de cem mil cópias vendidas, tornando-se o maior sucesso da carreira até então e lhe garantiu o primeiro Disco de Ouro. A vendagem deste disco foi impulsionada pelos sucessos Lua e estrela e Rapte-me camaleoa, esta última composta em homenagem à atriz Regina Casé. Neste disco também homenageou a também atriz Vera Zimmerman, com a canção Vera Gata, a língua portuguesa, numa incursão poética vanguardista (com a faixa-título), o estado de São Paulo (Nu com a minha música), o poeta Paulo Leminski (Verdura), a cultura do candomblé e umbanda (Sim/não), o grupo Os Trapalhões (Jeito de corpo) e o cantor francês Henri Salvador (Dans mon ile), a quem também homenageria na canção Reconvexo, gravada por Maria Bethânia. Nessa mesma época, causou polêmica ao se desentender com a imprensa especializada (jornalistas e poetas como Décio Pignatari com quem se reconciliaria em 6 de dezembro de 1986, José Guilherme Merquior - que o acusou de "pseudo-intelectual que tenta usurpar a área do pensamento", e Paulo Francis).

Participou como ator, em 1982, do filme Tabu, de Júlio Bressane, onde interpretou o compositor Lamartine Babo, e sete anos depois, de Os Sermões - A História de Antônio Vieira, como Gregório de Matos, também de autoria de Júlio. No ano seguinte, inaugurou o programa Conexão Internacional, da extinta TV Manchete, numa gravação realizada em Nova Iorque, onde entrevistou Mick Jagger, cantor do grupo Rolling Stones. Em fins de 1988 - dezembro, a editora Lumiar publicou um songbook (livro de canções), produzido por Almir Chediak, desmembrado em dois volumes e com as letras e cifras de 135 músicas.

Em 1984 veio Velô, acompanhado pelos músicos da Banda Nova, com destaque, dentre outras, para Podres poderes, O pulsar, a regravação de Nine out of ten (gravada originalmente no álbum Transa, de 1972), O quereres, uma homenagem ao pai com O homem velho, Comeu, Shy moon e Língua, uma homenagem à língua portuguesa. Estas duas últimas contaram com as participações especiais de Ritchie e Elza Soares.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit estadunidense que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de Mágoa e Seca d´Água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

A década de 1980 foi o momento em que Caetano começou a lançar seus discos e fazer shows maiores no exterior. Dentre as gravações mais representativas deste período na carreira do artista, e para toda a MPB, estão, entre outras: Os outros românticos, O estrangeiro, José, Giulieta Massina, O ciúme, Eu sou neguinha, Ele me deu um beijo na boca, Outras Palavras, Peter Gast, Eclipse oculto, Luz do sol, Jasper, Queixa, O quereres, O homem velho, Trem das cores, Noite de Hotel, Este amor, Rapte-me camaleoa, Língua e Podres Poderes.

segunda-feira, 10 de março de 2008

O Cravo e a Rosa

O Cravo e a Rosa foi uma telenovela brasileira produzida e exibida no horário das 18 horas pela Rede Globo de 26 de junho de 2000 a 10 de março de 2001, em 221 capítulos. Escrita por Walcyr Carrasco e Mário Teixeira, com a colaboração de Duca Rachid, e dirigida por Mário Márcio Bandarra, Amora Mautner, Ivan Zettel e Vicente Barcellos com direção geral e de núcleo de Walter Avancini.

A trama, baseada na peça teatral A Megera Domada, de William Shakespeare, teve Adriana Esteves e Eduardo Moscovis como protagonistas, e Drica Moraes e Carlos Vereza como os antagonistas principais da trama.



Catarina Batista é a mulher moderna, na sociedade paulista da época de 20, que recusa o papel feminino de se restringir a lavar ceroulas em um tanque. Julião Petruchio é um homem cuja crença é a de que a mulher deve ser a rainha do lar. Duas pessoas tão diferentes vivem um romance contraditório. Conhecida como "a fera", por botar todos os seus pretendentes para correr, Catarina vai esbarrar na teimosa cínica de Petruchio, que inicialmente, decide conquistá-la para, com o dote do casamento, salvar sua fazenda de ser leiloada.

Eles acabam se apaixonando, mas não dão o braço a torcer, vivenciando cenas muito bem-humoradas e hilárias de discussões e brigas vulcânicas. Ele fingindo-se de "cordeirinho", e ela cada vez mais furiosa com sua insistência.

Mas há os que são contra e a favor desse improvável romance. A começar pela família de Catarina. Nicanor Batista, seu pai, quer vê-la casada, livrar-se do constrangimento que passa por causa das atitudes da filha e lançar sua candidatura a prefeito; Bianca, a irmã mais nova, é o contraponto de Catarina: quer noivar e casar, mas só terá permissão após a filha mais velha arrumar um pretendente.

Já Cornélio Valente, tio de Petruchio, torce pelo sobrinho; assim como Calixto, velho empregado da fazenda que considera Petruchio como um filho e se apaixona pela governanta de Catarina, Mimosa. Também apoiam o romance Dinorá, esposa de Cornélio, e Josefa, irmã e mãe do esportista Heitor, pois as duas querem vê-lo casado com Bianca, por causa da fortuna dos Batista.

Entre os que não aprovam o casamento, há a ardilosa Lindinha, criada com Petruchio na fazenda, apaixonada por ele e que conta com a ajuda de Januário para atrapalhar o romance dos dois; o jornalista Serafim, que pretende conquistar Catarina para dar o golpe do baú; e o vilão Joaquim, homem misterioso cujo único objetivo é arruinar Petruchio porque acredita que ele foi o responsável pela perdição de sua única filha, Marcela.

E para piorar esse cenário, chega Marcela, vinda de Paris para se apossar dos bens do ingênuo pai e para reconquistar de vez Petruchio, batendo de frente com a "fera" Catarina.


domingo, 2 de março de 2008

Sônia Braga




Sônia Braga

Sônia Braga nasceu em 8 de junho de 1950, em Maringá, no Paraná. Com um ano de idade, mudou-se para Curitiba com os pais e os sete irmãos. Em seguida, a família foi para Campinas e, depois, para São Paulo. Aos 14 anos, começou a fazer pequenos papéis em programas e teleteatros infanto-juvenis na TV Tupi. Um desses programas era o Jardim encantado, apresentado por seu irmão Hélio. Em seguida, integrou um grupo teatral que se apresentava na região do ABC e ficou um ano em Santo André.

Em 1968, Sônia Braga participou do elenco da primeira montagem brasileira da peça Hair, dirigida por Ademar Guerra. No ano seguinte, foi escalada para atuar em A menina do veleiro azul, de Ivani Ribeiro, na TV Excelsior, mas a emissora fechou antes de a novela ir ao ar. Foi convidada, então, para fazer Irmãos Coragem (1970), de Janete Clair, na TV Globo. Nos anos seguintes, trabalhou em outras duas novelas da autora: em Selva de pedra (1972), no papel de Flávia, e em Fogo sobre terra (1974), como Brisa.

Apesar do sucesso nos palcos e da atuação em telenovelas, foi no infanto-juvenil Vila Sésamo, exibido a partir de 1972, que Sônia Braga se tornou conhecida do grande público. No programa, que explorava o potencial educativo da TV, viveu a doce professora Ana Maria, contracenando com Armando Bógus, Aracy Balabanian, Flávio Galvão, Manuel Inocêncio e os bonecos Garibaldo e Gugu, interpretados por Laerte Morrone e Roberto Orozco. Ainda em 1972, foi eleita revelação feminina e ganhou o Troféu Helena Silveira.

Na mesma época, Sônia Braga trabalhou em três episódios do programa Caso especial, todos adaptados por Domingos Oliveira. Em 1975, deu vida à personagem Gabriela, na novela de mesmo nome exibida no horário das 22h. Adaptação de Walter George Durst do romance Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado, a novela teve a direção de Walter Avancini e foi um grande sucesso nacional e internacional, alçando Sônia Braga ao posto de símbolo sexual. Em visita a Portugal, por exemplo, a atriz percorreu ruas em carro aberto, com batedores e guarda-costas.

Sônia Braga voltaria a encarnar personagens de Jorge Amado no cinema. Em 1976, fez o filme Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, ao lado de José Wilker e Mauro Mendonça. O filme foi um fenômeno de bilheteria do cinema brasileiro, com 12 milhões de espectadores, e também teve grande repercussão no exterior. Em 1983, Sônia Braga protagonizou Gabriela, cravo e canela (1983), de Bruno Barreto, quando contracenou com Marcello Mastroiani – o ator interpretou o “turco” Nacib, personagem vivido por Armando Bógus na produção da TV Globo. A atriz também atuou em Tieta (1996), de Cacá Diegues.

Na televisão, depois de Gabriela, participou do elenco de Saramandaia (1976), de Dias Gomes. Interpretava Marcina, mulher sensual que provocava incêndios com o calor do seu corpo. No ano seguinte, atuou em Espelho mágico (1977), de Lauro César Muniz, como a atriz iniciante Cynthia Levy. Um dos destaques da trilha sonora da novela é a versão que Gal Costa gravou de Tigresa, música que Caetano Veloso compôs em homenagem à atriz.

Ainda no final da década de 1970, Sônia Braga deu vida a outro personagem de grande sucesso: a Júlia Matos, em Dancin’ days (1978), de Gilberto Braga. Nesta história urbana, a atriz personificou uma ex-presidiária, que sai da prisão disposta a reconquistar o amor de sua filha, então interpretada pela novata Glória Pires. Uma das cenas inesquecíveis da novela foi o retorno triunfal de Júlia ao Rio, após um período no exterior, em que ela dá um show de dança na discoteca da trama, vestindo bustiê e sandálias de salto alto com meia de lurex, que viraram a sensação da época.

Em 1979, Sônia Braga se aventurou no teatro infantil na peça No país dos Prequetés, de Ana Maria Machado. No ano seguinte, voltou à televisão para protagonizar, ao lado de Tony Ramos, a novela Chega mais, de Carlos Eduardo Novaes. Os dois deram vida ao casal Gelly e Tom.

No início dos anos 1980, a atriz, que já tinha feito filmes como A dama do lotação (1978), de Neville de Almeida, decidiu se dedicar exclusivamente ao cinema. Em 1981, estrelou Eu te amo (1981), de Arnaldo Jabor, e ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado. Em 1985, protagonizou o filme O beijo da mulher aranha, de Hector Babenco, contracenando com Raul Julia e William Hurt. O sucesso do filme abriu as portas do mercado internacional para Sônia Braga e lhe rendeu a indicação ao Golden Globe de melhor atriz coadjuvante. Foi nessa época, então, que ela decidiu deixar o Brasil e tentar carreira nos EUA, onde morou por 14 anos, obtendo cidadania americana em 2003.

Nesse período, trabalhou em 42 filmes, entre os quais: Rebelião em Milagro (1988), de Robert Redford; Luar sobre Parador (1988), de Paul Mazursky, quando voltou a receber uma indicação ao Golden Globe de melhor atriz coadjuvante; e Rookie, um profissional do perigo (1990), de Clint Eastwood. Além disso, atuou em episódios de 11 seriados de TV norte-americanos, como The Cosby show (1986), Sex and the city (2001), American family (2002), Law & order (2003), CSI: Miami (2005) e Alias (2005).

Sônia Braga concorreu a diversos prêmios prestigiados nos Estados Unidos. Por sua atuação em The burning season (1994), de John Frankenheimer, foi indicada pela terceira vez para receber o Golden Globe de melhor atriz coadjuvante e concorreu, também, ao Emmy Awards. Em 1996, ganhou o Lone Star Film & Television Awards, como melhor atriz coadjuvante, por seu trabalho em Streets of Laredo (1995), de Edward D. Wood.

Em 1999, depois de quase 20 anos afastada da televisão brasileira, a atriz fez uma participação especial nos 10 capítulos iniciais da novela Força de um desejo (1999), de Gilberto Braga e Alcides Nogueira, no papel de Helena Silveira, mãe dos personagens de Fábio Assunção e Selton Mello. Em 2001, fez parte do elenco do filme Memórias póstumas, de André Klotzel, baseado na obra de Machado de Assis. Por sua atuação nesse filme, ganhou o Kikito de ouro de melhor atriz coadjuvante, no Festival de Cinema de Gramado.

Em 2006, voltou a trabalhar em uma telenovela da TV Globo, interpretando a escultora Tônia em Páginas da vida, de Manoel Carlos.













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